O propósito essencial da Yoga é vencer a ignorância tornando-a subjugada pela obtenção da união com o conhecimento.A doutrina-raiz de todos os credos principais de nossa humanidade comum é a Luz, que existe inata no homem, a luz que brilha na escuridão e a luz que em virtude de métodos que chamamos yogues, eventualmente vence a escuridão, de maneira que só resta a Luz.
Desde os primórdios o homem busca conhecer o que há além dos simples fenômenos que ele pode ver, uma verdade maior que todas as incertezas do mundo. Mesmo que intuitivamente, sempre soube que havia algo além, uma consciência superior aos seus pequenos egos e seu impulso sempre foi o de desvendá-la. Em diferentes tempos, os distintos povos e civilizações buscaram esse algo mais, cada um à sua maneira.
Com ênfase nos pranayamas e ásanas, o Hatha yoga também se utiliza de técnicas como vivências de mudrás. Quando vivemos um gesto (mudrá) concentrando toda a atenção nas mãos e pensamentos, percebemos que o gesto guia estes pensamentos. Notamos a tendência à um elemento. Com a prática, visões e mensagens se manifestam rapidamente quando assumimos a postura e escolhemos o mudrá a ser vivenciado. Esta vivência nos ensina a observar para onde estamos enviando nossa energia, que gestos estamos usando no dia-a-dia , e que pensamentos podem ser equilibrados apenas com uma postura corporal e gestual. Os mudrás são considerados gestos de poder, pois conduzem e induzem a energia corporal direcionando-a a ponto de transformar a realidade interna e externa. A consciência deste fluxo energético é que faz este poder ter manifestação (è um poder yogue).
Dharana
É a concentração e domínio dos processos mentais. Acompanhada do Pratyahara (anulação dos sentidos) e da visualização, faz a defesa e proteção do yogue, enquanto este permanece neste estado de completa entrega.
Tal como a yoga concebe, as artes: da postura do corpo (asana), do disciplinamento e correta gestão do processo respiratório (pranayama), e o domínio dos processos mentais (dharana), desenvolvem no yoguim defesaspsíquicas que o preservam das perturbações e influências negativas do mundo, conferindo-lhe assim uma sólida saúde física, mental e espiritual. Por isso são chamadas de "círculo protetor".
Visualizações
No início são como criações, induzidas pela mente. Na disciplina diária da aplicação das técnicas de focalização do prana no corpo, do acompanhamento das vibrações mântricas vocalizadas, direcionamento da consciência nos mudrás e movimentos, estas visualizações se mostram espontâneas e naturais.
A disciplina na execussão das técnicas do hatha yoga é que conferem aqueles tão famosos poderes yogues (sidhis). Como objetivo yogue é consciência, logo perceberá o adepto, que qualquer poder que se manifeste é apenas um efeito colateral simples, decorrente do empenho nas técnicas.
Um yogue é responsável por seus pensamentos e ações, pois com uma concentração maior que o comum, faz acontecer, transformando sua "realidade" diária.
O QUE É A VERDADE?
A verdade é uma das formas de se referir à Consciência absoluta, que é a essência do Homem e do Universo. Dá-se a tal o nome de Verdade, pois é a única coisa constante do universo, que é todo incerto, inconstante e passageiro, portanto, menos real. Quando o Homem chega a essa Consciência (na verdade ele descobre que sempre esteve lá) ele alcança a coroação da evolução humana, onde adquire um elevadíssimo e incomensurável grau de consciência e lucidez. Esse processo é chamado de autoconhecimento, que é quando o homem se conscientiza da sua verdadeira identidade: a Consciência agora citada.
O YOGA
O Yoga é uma das filosofias que visam a levar o Ser Humano a esse patamar de consciência.. É uma das mais antigas que ainda hoje se tem notícia . Seu surgimento data a proto-história (mais de 3.000 a.C.) e seu berço aponta a região hoje ocupada pela Índia e Paquistão. O Yoga é uma filosofia extremamente especial. Ele foi criado de uma maneira magnificamente perfeita, abrangendo a totalidade do ser humano e proporcionando-lhe uma plena transformação evolutiva em todas as áreas. Assim, além de ser extremamente eficaz no processo de levar o homem à iluminação, ainda lhe proporciona alguns elementos importantes para a sua vida cotidiana, como saúde, vitalidade, longevidade, etc.
Todo o conhecimento é mostrado na primeira aula. Passam-se, porém, alguns anos para que o discípulo entenda e traga à consciência, tudo o que foi ensinado.
Maya é o véu mágico, desde sempre ostentado pela natureza, a Grande Mãe Ísis, a encobrir a realidade. Somente por meio da Yoga é que o homem conseguirá descerrar o véu e chegar ao autoconhecimento e ao autodomínio, mediante os quais a ilusão é transcendida. Tal qual um alquimista das coisas do espírito, o mestre da Yoga separa a ganga, que é a ignorância, do ouro, que é o conhecimento correto.
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Pranayamas A parte (ou anga) de toda prática de yoga, seja qual for o tipo de yoga, é o pranayama. Este controle (yama) da energia vital(prana) é o primeiro exercício de consciência, pois a respiração pode ser feita com consciência ou inconsciente.A concentração no ritmo respiratório faz com que o yogue desapegue do mundo, naquele momento. Se o foco da consciência estiver dentro de si mesmo, a observação pura traz entendimento das percepções internas do corpo. É possível captar vida, concentrar vida, redistribuir vida no corpo, usando a intenção com consciência, só pelo pranayama. Cada ritmo escolhido para o pranayama, tem um efeito psíquico, mental, químico, emocional e postural. As mudanças corporais são imediatas. Por exemplo, quando praticamos a respiração rápida (hiperoxigenação; bástrika), o coração e a circulação sangüínea aceleram, a pressão tem uma leve alta, gerando um aquecimento corporal, um estado de leveza e contentamento (logo após a prática) e facilidade para visualizações; outros muitos sintomas como o aumento da capacidade pulmonar, que aparecem como conseqüência desta prática e que podem durar de dois minutos a uma hora, devem ser vivenciados. A observação como auto estudo é uma forma de despertar a consciência no seu ritmo próprio, com garantia. Cada ritmo diferente de pranayama, a química corporal muda, e por conseqüência as emoções e pensamentos podem ser controlados. Outro ritmo muito usado é o chaturanga pranayama, ritmo quadrado: inspirar contando até quatro, segurar o ar (a vida) com o pulmão cheio contando mentalmente até quatro, soltar o ar contando até quatro, e segurar sem ar com o pulmão vazio contando até quatro. A contagem até quatro é um exemplo, pois no chaturanga pranayama todas as etapas da respiração devem ter contagem igual, que poderia ser 8/8/8/8, ou 12/12/12/12.Este ritmo equilibra o corpo e as emoções. quando levamos um susto, a tedência natural é inspirar rápido e prender a respiração. Isto provoca uma descarga de adrenalina e aumento da pressão ,batimentos cardíacos e tremores, no mínimo. Se é isso que você deseja, tudo bem, mas se quizer acalmar, conscientemente escolha o ritmo quadrado, mesmo que seja em 2/2/2/2. O equiíbrio do corpo e da mente precisam estar presentes para a consciência continuar sua evolução ou expansão. Uma variação do chaturanga pranayama é chamado por mim, de respiração mínima: aquela que ninguém percebe que você está vivo. É tão lenta quanto possível e favorece o estado meditativo. Neste caso a recíproca é verdadeira, pois quando em meditação profunda, a respiração fica mínima assim como o metabolismo do corpo todo.
Ainda sobre ritmos, cabe salientar alguns efeitos, para que possamos escolher conscientemente a transformação corporal que realmente queremos ou precisamos. A permanência com o pulmão vazio até o limite individual combate os medos. Em yoga não se costuma explicar o que está acontecendo, para que a própria consciência desses efeitos apareça com legenda. Minha proposta neste escrito é mostrar uma prática eficaz, mas gosto de esclarecer alguns pontos para que o corpo mental possa ser ativado junto. O medo mais comum no ser humano é o medo de morrer. Quando morto não há respiração. Dominar o alento neste ponto exige confiança na vida. Portanto, inspire vida, distribua no corpo, transforme, solte o ar lentamente e descubra o quanto tem de vida, na retenção sem ar. Domine esta técnica e o tempo de vida aumenta. Estar sem ar conscientemente baixa a pressão e faz dominar a ansiedade.
A permanência com o pulmão cheio eleva a pressão, estimula as ações e reações, traz uma impressão confortável da vida, o reconhecimento da sua capacidade pulmonar e poder sobre seu corpo.
A respiração deve ser nasal, a menos que uma técnica especial mude a forma.
A concentração na respiração completa nos traz para a consciência, toda a transformação que ocorre com o ar. Este mesmo ar que permeia a Terra desde sua criação há milhões de anos. O ar não saiu da atmosfera. Apenas vem sendo reciclado pelos seres vivos com seus métodos particulares de respiração. Este ar é parte da Terra e é parte de cada ser vivo. Contém a informação histórica da Terra no prana que carrega. O conhecimento do mundo está dentro de cada um. Concentra-te, observa-te, conheça-te. Qual o seu ritmo ideal?
PURUKA(inspiração)
KUMBAKA
(retenção com ar)
RECHAKA
(expiração)
SUNYAKA
(retenção sem ar)
Contar até 5
Contar até 5
Contar até 5
Contar até 5
12
12
12
12
6
12
6
12
4
8
4
8
6
24
6
6
8
16
8
0
8
8
8
16
8
16
32
64
4
0
4
4
Que outras reações físicas, emocionais e mentais ocorrem de diferente em cada mudança? Vivencie e mude a vida, mudando o ritmo.
As bandhas são contrações provocadas com posturas que potencializam a técnica do pranayama.Quando em Kumbaka, tomba-se a cabeça levemente para trás colocando a ponta da língua contra o palato mole (fundo do céu da boca), e direciona-se o olhar para a região entre as sobrancelhas. Nesta técnica deve haver um alongamento do freio lingual e a pressão deverá obstruir internamente a passagem de ar.
Quando em sunyaka, encosta o queixo no peito, tombando a cabeça para frente (jalandhara).
O muladhara consiste em contrair os esfíncteres de anus e uretra (com consciência localizando internamente cada feixe muscular, individualmente).
Quando unimos as três técnicas no pranayama, fazemos a energia vital ficar concentrada no eixo interno, forçando a passagem pelo sushumná nadi (canal central).
Algumas técnicas de pranayama vão além dos ritmos.
A respiração polarizada (Nadi sodana pranayama) desobstrui as nadis (canais principais de energia). Dentro de um ritmo com retenção máxima em kumbaka, com o polegar da mão direita, fechar a narina direita (contrário para homens) e inspirar lentamente pela narina esquerda, reter ao máximo com ar, fechar a narina esquerda e expirar lentamente pela direita. Durante a retenção do prana, visualizar sua condução ao crânio para purificação, ou conduzir por Ida nadi, até a base da coluna (base de sushumná nadi). Na seqüência, inspirar pela mesma narina, e com o pulmão cheio trocar o dedo para o outro lado fechando a outra narina. Continuar revezando e observando o fluxo do prana no corpo (sensações de calor ou até arrepios ao redor da coluna, são comuns). Também chamado de “a filha do sol”. É um pranayama muito usado para equilíbrio, purificação, para cura de doenças devidas aos ventos e aos vermes. (Ksurika Upanishad, n/26).
O Ujjayi pranayama é uma técnica que ativa o movimento energético do Vishuda Chakra (laríngeo). Este modo de controle do prana é praticado inspirando o ar pelas duas narinas, com suavidade, enquanto produz um som ao encher o espaço entre coração e garganta. Reter o ar. Expirar soltando este ar pela narina esquerda. O som gerado pela inspiração é aquele que lembra o bija mantra Ham. De acordo com a Ksurika Upanishad, verso 29:
“Esta prática tem a vantagem de descongestionar a cabeça e eliminar a frieza da nuca;
Além disso, ela cura diversas doenças e equilibra o calor corporal;
Ela evita que os canais se encham de água e purifica os elementos constituintes da pessoa física.
“Pode-se adotá-la a todo o momento mesmo estando de pé, mesmo caminhando”.
O sitali pranayama difere na inalação do ar que se faz pela boca. Fazendo um “biquinho” como quem vai sorver água.. Retém-se o ar ao máximo, enquanto se conduz mentalmente o prana para a região do plexo solar (manipura chakra). Expirar pelas narinas. Esta técnica faz transmutação e purificação dos elementos da digestão. Cura azia e má digestão.Provoca arrotos e dá sensação de leveza.
Bramara pranayama é a técnica que se diferencia por ter a expiração produzindo um som que se assemelha ao zumbido da abelha. O ritmo pede uma retenção máxima em kúmbaka e expiração pela boca. A vibração que se ativa no corpo, preenche a caixa torácica e crânio. Os pensamentos são freados pela alta freqüência vibratória da técnica. A amorosidade se revela com natureza. Tal como o “hum” vocalizado de boca fechada, ativa o ajna chakra e favorece as visões psíquicas, o bramara pranayama também atua com esta conseqüência. Lembrar que os efeitos colaterais não são e não devem ser o objetivo. Todo pranayama tem como objetivo principal a consciência e controle do prana. Apenas isso. Concentre-se no caminho do prana. Esvazie a mente dos pensamentos e entregue-se à prática. Seja observador de si mesmo.
Quanto ao prana, recebe nomes diferentes conforme a região que atua e é direcionado. Assim...
Prana: energia vital do coração (anahata); também energia vital geral (conforme o autor);
Apana: energia vital do muladhara;
Udana: energia vital da garganta (vishuda);
Samana: energia vital do manipura
Vyana: energia vital geral (quando em circulação).
Os pranas são a vitalidade e movimento dos órgãos.
Estes pranas circulam no corpo pelas nadis (canais de energia). Quando falamos de sangue, sabemos que circulam por canais chamados de artérias e veias. Por ser o sangue líquido, seus canais são bem sólidos, flexíveis e palpáveis. Quando falamos de prana, sabemos se tratar de energia contida no ar e bem mais sutil que o próprio ar.. Que tipo de canal consegue limitar conduzindo uma energia destas? Nosso corpo também tem uma grande rede de feixes nervosos. Estes nervos ao levar informações sensoriais ao cérebro, geram um eletro magnetismo em seu caminho, criando uma espécie de duplo sutil. Eis a formação das nadis. Assim, a nadi principal chamada de sushumná nadi é o canal central correspondente à base da coluna até o topo do crânio, ao longo do qual se manifestam os chakras (plexos nervosos que irradiam energia organizada com funções específicas conforme o local ou órgão associado que está). As outras duas nadis importantes são Ida e Pingalá (sistemas simpático e parassimpático na matéria). Ida nadi é o canal da “esquerda” e pingalá nadi ,o da “direita”, e vão serpenteando pelos lados da coluna, se unindo na base ao sushumná (ponto chamado de Kanda) pelo muladhara chakra. Ida e pingalá se encontram ao final, no ajna chakra, quando se diz que as dualidades acabam.
Quando praticamos um pranayama, potencializamos a técnica com bandhas e visualizações.
Por: Mary Bergmann
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